O que é suplemento alimentar? Saiba como usar da forma certa e sem riscos

Conheça os benefícios, os cuidados, os diferentes tipos e para que servem

19 de março de 2023 - às 21h50 (atualizado em 24/8/2023, às 13h46)

Prato com cápsula gigante com vários alimentos saudáveis dentro
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Envato

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Cuidar da saúde é sempre importante e muita gente que frequenta uma academia já ouviu falar em suplementos. Mas o que é suplemento alimentar, quando se deve tomar, para que serve, engorda? Quais são os riscos e benefícios da suplementação?

Segundo um estudo realizado em 2020, pela Abiad (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres), em 59% das residências brasileiras, ao menos um dos residentes consome suplementos alimentares. Além disso, destes entrevistados, 90% usam como complemento alimentar, enquanto 85% para fins relacionados à saúde e bem-estar.

O que preocupa a Abiad é que dentre os consumidores de suplementos alimentares, 49% não são feitos sob recomendação médica.

 

O que é suplemento alimentar?

Algumas pessoas acreditam que eles são medicamentos, mas não são; eles não previnem e nem curam doenças.

A determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), deixa clara essa diferença entre suplementos e medicamentos: “Se for para pessoa saudável, é suplemento.”

Larissa Marfori, nutricionista com especialização em abordagem nutricional nas doenças endócrinas e metabólicas e pós-graduanda em bioquímica, metabolismo e aplicações práticas no exercício e na estética, explica que os suplementos alimentares são substâncias químicas produzidas para complementar a alimentação. Eles podem ser compostos de todas as vitaminas e minerais ou podem conter apenas determinadas substâncias específicas, como uma quantidade muito maior de proteínas, carboidratos ou outros componentes. Geralmente, são encontrados em forma de cápsulas, comprimidos ou em pó.

 

Para que serve o suplemento alimentar?

Seu uso é abrangente, entre suas finalidades está o ganho de massa muscular e evitar problemas relacionados à idade. Contudo, deve-se ter atenção e se conscientizar de que os suplementos não têm a missão de substituir a alimentação; a função deles é complementar a necessidade de algum nutriente ou vitamina que esteja em falta no organismo. Eles jamais substituirão uma boa dieta.

Geralmente, não é necessário apresentar receita médica para comprar suplementos, apesar disso, o ideal é não fazer uso deles sem um objetivo específico, ainda mais sem a orientação de um médico ou nutricionista, pois cada corpo tem necessidades diferentes uns dos outros. É importante saber o que se está consumindo e em que dosagem, pois além dos suplementos, o indivíduo já ingere os nutrientes em sua alimentação normal. Então, cuidado. Deve-se procurar um profissional para fazer a suplementação da melhor forma para cada perfil.

O nutricionista esportivo, Leonardo Soares, afirma que o suplemento tem o papel de servir como um complemento quando não é possível atingir as demandas nutricionais apenas com a alimentação. Além disso, auxilia na performance esportiva e no tratamento de doenças.

 

Tipos de suplemento

Além dos famosos suplementos direcionados ao público que frequenta academias, ou pratica atividades físicas, existem outros tipos, como:

• Suplementos hipercalóricos:

Têm como objetivo básico engordar.

Como o nome diz, são cheios de calorias. Ricos em gorduras, carboidratos, vitaminas, proteínas e minerais. Deve-se consumir com cuidado, pois podem levar a sobrepeso.

• Suplementos termogênicos:

Ideais para quem quer emagrecer.

Sua função é acelerar o metabolismo, e geralmente tem em sua composição cafeína, guaraná e outras substâncias.

Soares faz uma observação importante sobre eles. “Os termogênicos ajudam no emagrecimento de forma indireta, pois o aumento no metabolismo é em torno de 100-150 kcal (sendo otimista), coisa que você recupera com um chocolate pequeno. Porém, ele tem um efeito estimulante que faz com que a intensidade do treino aumente, favorecendo muito mais o emagrecimento”,  afirma o nutricionista.

Fato importante: o consumo desse tipo de suplemento exige moderação. Consumido em excesso, pode levar a problemas graves como insônia, dor de cabeça, ansiedade, falta de concentração, aumento da frequência cardíaca, arritmia, hipertensão arterial, AVC e infarto. Portanto, é importante seguir as orientações.

• Suplementos proteicos:

O objetivo aqui é ajudar no ganho de massa muscular.

Muito utilizado por praticantes de musculação, é composto por proteínas que ajudam os músculos a se recuperarem após os treinos e também contribuem para o aumento da imunidade.

Fato importante: apenas a ingestão de proteínas não faz com que você ganhe massa muscular. De nada adianta consumir e não fazer a sua parte na dieta e no treinamento.

Outro ponto importante é que consumir suplementos proteicos pode ajudar, mas só quando existe uma deficiência do nutriente, se você já consome a quantidade necessária de proteína, o seu organismo vai simplesmente eliminar o excesso, e o consumo em excesso pode causar sobrecarga nos rins (não ocorre em indivíduos saudáveis). Faça uso quando, por alguma restrição alimentar ou falta de tempo, não conseguir consumir a quantidade de proteína necessária. Mas só um profissional poderá te indicar com precisão.

• Suplementos antioxidantes:

Ajudam a combater o efeito de radicais livres produzidos pelo corpo durante os exercícios e alimentação.

Os radicais livres são os responsáveis pelo envelhecimento.

• Suplementos hormonais:

Para regular o sistema hormonal. Eles estimulam a produção de hormônios, como tiroxina, estrogênio e outros, caso ela esteja baixa.

• Suplementos polivitamínicos e minerais:

Tem a função de complementar o fornecimento de cálcio, ferro, magnésio e outras vitaminas e minerais necessários.

Trazem benefícios como fortalecimento da imunidade, melhor desempenho em atividades físicas, melhora da absorção de nutrientes, suprime as necessidades nutricionais de gestantes e outros.

Fato importante: em excesso podem causar problemas, por exemplo, o consumo excessivo de magnésio pode causar diarréia e o de zinco, pode acarretar em náusea e vômito.

• Suplementos probióticos:

Ajudam em diversos problemas relacionados ao intestino por meio de micro-organismos vivos.

 

Cuidados sobre o uso de suplementos

Geralmente, os suplementos encontrados com facilidade em farmácias e mercados são saudáveis, eficazes, ricos em vitaminas e proteínas, que podem fazer muito bem para o coração, fígado, músculos e imunidade. Normalmente são seguros e podem ser comprados sem preocupação, mas cuidados são necessários e deve-se evitar o uso indiscriminado.

Larissa alerta para o fato de que alguns suplementos contêm ingredientes que não são seguros para o consumo ou contêm substâncias com propriedades terapêuticas, que não podem ser consumidas sem acompanhamento médico. Os agravos à saúde humana podem englobar efeitos tóxicos, em especial para o fígado, disfunções metabólicas, danos cardiovasculares e até alterações do sistema nervoso.

Fazer uso desses suplementos, sem orientação médica, pode significar ingerir algo do qual o corpo não precisa e sobrecarregar o organismo, causando problemas que prejudicam fígado e rins, podendo levar a intoxicação e até câncer.

O uso excessivo de vitamina C, por exemplo, aumenta o risco de pedra nos rins; o de vitamina D aumenta muito a absorção de cálcio, o que pode elevar o cálcio no sangue e levar a um quadro de insuficiência renal.

A nutricionista ressalta a importância de ter a orientação de um profissional. “Em algumas situações em que exista a possibilidade de as reservas já terem sido depletadas ou em que o indivíduo já apresenta deficiência comprovada de determinado nutriente, é difícil que a alimentação por si só consiga corrigir essa deficiência e melhorar a performance”, explica Larissa. O nutricionista deve considerar o diagnóstico global (dados antropométricos, dietéticos, laboratoriais, clínicos, fatores de risco presentes e antecedentes familiares).

Também deve-se atentar a procedência dos produtos, sempre verificando se a marca é confiável, além das informações nas embalagens.

Embora o registro na Anvisa não seja obrigatório, todas as embalagens devem conter suplemento alimentar escrito nelas, deve ter a recomendação de quantidade e frequência que o consumidor deve ingerir por dia, inclusive por faixa etária ou grupo específico, advertências gerais e específicas de acordo com a fórmula, restrição de uso, tabela nutricional, lista de ingredientes, informar se contém glúten, lactose e alergênicos, data de validade, número do lote, nome da empresa que produziu e responsável técnico.

Leonardo dá mais uma dica. “Na hora de comprar um suplemento é importante escolher um lugar confiável, pois hoje em dia é muito comum a falsificação desses produtos. E na dúvida, compre de marcas que já estão bem estabelecidas no mercado, pois a chance de adulteração do produto é muito menor”, alerta o profissional.

 

Quem precisa tomar suplementos alimentares?

Larissa afirma que a suplementação pode auxiliar na perda de peso, no aumento de energia e no ganho de massa muscular, mas em alguns casos ela pode ser fundamental para a saúde do indivíduo. Atletas de alta performance possuem um grande desgaste durante a prática dos exercícios e, algumas vezes, pode ser difícil conseguirem os nutrientes necessários para recuperar o organismo. Também pode haver condições do próprio organismo, que dificultem a absorção de alguns nutrientes e a suplementação alimentar será de grande ajuda para essas pessoas.

Ao ser avaliado por um médico ou nutricionista, ele pode recomendar o uso de suplementos. A recomendação é mais comum no caso de:

• Mulheres:

No período da pré-menopausa devem ingerir cálcio e vitamina D, para diminuir o risco de osteoporose. Quando estão amamentando, quando pretendem engravidar devem ingerir ácido fólico, pois ele diminui o risco de malformação do sistema nervoso central do bebê; além disso, durante a gestação devem ingerir suplementos de ferro para evitar anemia.

• Pessoas desnutridas:

Pois o corpo está necessitando de muitos nutrientes e vitaminas.

• Pessoas com restrição alimentar:

Pessoas que não podem ou não querem ingerir alguns alimentos (caso de veganos e vegetarianos), podem precisar das vitaminas desses alimentos, como a vitamina B12, da qual pode ter carência a longo prazo.

• Idosos:

Devido ao avanço da idade, algumas pessoas perdem tecido muscular de forma natural, então elas precisam de proteínas, além de suplementos para evitar a perda de massa óssea, que também é comum nessa fase.

• Crianças:

Por conta do rápido crescimento e desenvolvimento, as crianças podem ser suscetíveis a ter uma deficiência de nutrientes. Nesse caso, a suplementação se faz necessária.

Crianças nascidas de mães desnutridas devem receber injeções de megadoses de vitamina A, para evitar baixa imunidade e perda de visão dos recém-nascidos.

• Portadores de doenças crônicas:

Antioxidantes e ômega 3 ajudam a reduzir o estresse causado por radicais livres.

• Fisiculturistas:

Geralmente fazem o uso de suplementos hiperproteicos para alimentar o crescimento muscular.

• Atletas de alto rendimento:

É comum usarem energéticos, hipercalóricos e vitamina B, pois eles têm alta necessidade de calorias e nutrientes. Também devem tomar doses de vitamina C, para ajudar a combater os radicais livres produzidos em excesso durante os exercícios.

• Outros usos:

Fortalecimento dos ossos, crescimento de cabelos e unhas, melhora da elasticidade da pele, etc.

Leonardo esclarece que apesar desses casos serem os mais comuns, não existe público específico. “Não existe um público alvo, os suplementos podem ajudar todos os tipos de pessoas em todas as idades. Por exemplo, Whey Protein é visto como um suplemento para o pessoal marombeiro, mas ele é apenas um complemento de proteínas que poderia ajudar um idoso, uma criança ou adolescente a bater sua ingestão proteica do dia”. E quanto maior for a demanda nutricional do indivíduo, maior pode ser a lista de opções de suplementos a serem utilizados, pensando principalmente no contexto do esporte.

 

Suplemento alimentar engorda?

Depende de que suplemento o indivíduo fará uso e também do seu objetivo.

“Caso a pessoa consuma a quantidade necessária de nutrientes para suprir o gasto de energia, um suplemento pode, sim, engordar, já que as calorias ingeridas não utilizadas serão armazenadas em forma de gordura”, afirma Larissa. É necessário avaliar se a pessoa deseja aumentar, diminuir ou manter o peso atual. Além disso, a utilização do suplemento deve ser aliada a outras atividades, para garantir a utilização das calorias adicionadas de forma eficiente.

Os hipercalóricos, como já dito, podem colaborar para que isso aconteça, dependendo de outros fatores, como a alimentação e a prática de exercícios. Além deles, existem os suplementos que auxiliam no ganho de massa muscular, como o Whey Protein que podem fazer com que a pessoa também ganhe peso, mas sem engordar (claro que isso depende da ingestão calórica total diária).

O cuidado deve ser tomado ao adicionar, sem necessidade, o uso desses suplementos a alimentação, que pode já ser bem rica e completa, ainda mais se não há a prática de exercícios para eliminar as calorias em excesso no corpo. Por isso, a avaliação de um profissional é fundamental.

 

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