O que é etarismo e como ele afeta os idosos

Descubra os impactos do etarismo na terceira idade e saiba como combater esse preconceito

28 de setembro de 2023 - às 16h23 (atualizado em 28/11/2023, às 15h20)

Homem de meia idade na rua
Crédito:

Envato

Escrito por

Dayana Bonetto

Redatora Let's Move 360

Chegar à terceira idade com saúde e energia é um verdadeiro privilégio. No entanto, nos últimos anos, tem-se observado um problema crescente: a discriminação relacionada à idade, que é conhecida como etarismo.Segundo Andrea Ladislau, psicanalista, também pode ser chamado de velhofobia, idadismo ou ageísmo. “Esse tipo de preconceito surge quando a idade é usada para julgar, apontar dedos e dividir pessoas por atributos, causando dores emocionais, danos, desvantagens ou injustiças”, explica. De acordo com o Relatório Global sobre Etarismo, realizado pela OMS e pela Organização das Nações Unidas (ONU), o etarismo pode se apresentar de forma institucional, interpessoal ou autodirigido. 

 

A pesquisa explica que o etarismo institucional refere-se às leis, regras, normas sociais, políticas e práticas de instituições que restringem injustamente as oportunidades e prejudicam sistematicamente os indivíduos devido à idade. Já o interpessoal, por sua vez, surge em interações entre dois ou mais indivíduos, por exemplo, quando colegas de estudo ou trabalho julgam uns aos outros por conta da idade. Enquanto o autodirigido ocorre quando o preconceito de idade é interiorizado e voltado contra si mesmo.

 

O levantamento da ONU estima que uma em cada duas pessoas tem preconceitos contra os mais velhos.

 

Etarismo: impactos psicológicos 

 

De acordo com a psicóloga Daniela Tessler, o preconceito de idade pode trazer consequências sérias para várias áreas da vida das pessoas, principalmente as relacionadas com um envelhecimento saudável e bem-estar. “Os impactos psicológicos do etarismo nas pessoas mais velhas podem ser significativos. Isso pode levar a sentimentos de baixa autoestima, baixa autoconfiança, isolamento social, depressão e ansiedade, estresse e pressão psicológica, desesperança e desmotivação, declínio cognitivo, negligência do autocuidado e impacto na qualidade de vida. Essa discriminação pode afetar negativamente a saúde mental e o bem-estar emocional dos idosos”, ressalta. Alessandra Demite, coordenadora dos cursos de Gestão e Negócios da Universidade São Judas e psicóloga especialista em Gestão de Pessoas, completa: “O etarismo também pode causar estresse pós-traumático, redução da memória e da capacidade cognitiva”, explica.

 

Etarismo e mercado de trabalho

 

No Brasil, segundo a consultoria Hype50+, 39% daqueles acima dos 55 anos se sentem descartados pelo mercado de trabalho. Demite explica que isso acontece no momento em que é feita a seleção ou quando ocorre uma promoção. “O etarismo afeta a participação dos idosos na hora de contratar ou promover funcionários, excluindo ou deixando de lado pessoas experientes e qualificadas por causa da sua idade”, ressalta. Para Demite, a falta de comunicação entre diferentes gerações causa preconceitos. “No ambiente de trabalho suscita a crença de que pessoas mais velhas são menos produtivas e apresentam dificuldades para se adaptarem às mudanças tecnológicas e às novas formas de trabalho. Essa visão já está bastante distorcida e ultrapassada, pois, com a pandemia, houve uma aceleração na adoção de tecnologias digitais, o que tornou o mercado de trabalho mais acessível a profissionais de todas as idades, independentemente da localização geográfica ou habilidades tecnológicas”, pontua.

 

Nesse contexto, Tessler destaca o papel de quem contrata. “Muitas vezes, os empregadores podem ter estereótipos negativos sobre os idosos, presumindo que eles são menos produtivos, menos inovadores ou mais propensos a ter problemas de saúde, o que pode levar à sua exclusão. O etarismo pode criar um ambiente em que os idosos se sintam pressionados a se aposentar antes do desejado, mesmo quando desejam continuar trabalhando”, indica.

 

Além desses impactos, Ladislau enfatiza que o etarismo pode afastar o idoso do mercado de trabalho. “Uma vez que aqueles que buscam superar suas limitações físicas e até mesmo mentais, mantendo-se ativos no mundo corporativo, muitas vezes se deparam com a barreira da discriminação e do preconceito. Isso ocorre sem empatia, generosidade ou acolhimento”, alerta. 

 

No âmbito psicológico, Ladislau destaca que a capacidade de voltar ou se manter produtivo é fundamental para qualquer pessoa. “O equilíbrio emocional tende a afastar os sentimentos de perda, inutilidade e finitude, tipicamente vivenciados por aqueles que se encontram em faixas etárias mais avançadas”, diz. 

 

Como evitar o etarismo 

 

Tessler destaca que para combater o etarismo e promover a inclusão de idosos, é importante educar a sociedade sobre os mitos relacionados ao envelhecimento, promover a diversidade intergeracional e incentivar a valorização das contribuições dos idosos na sociedade.

 

Para Demite, o Brasil, assim como muitos outros países, enfrenta um desafio preocupante em relação ao etarismo. “Na perspectiva social, é essencial conscientizar a população sobre os direitos dos idosos e promover mudanças culturais que valorizem e respeitem essa parcela importante da sociedade. No mundo corporativo, embora já há avanços de uma agenda positiva de combate ao etarismo, a exemplo das ações relacionadas ao ESG (sigla em inglês que se refere aos aspectos ambientais, sociais e de governança), percebe-se que a caminhada ainda será longa para que se tenha uma mudança efetiva de mentalidade a partir de práticas estruturadas e posturas individuais dos profissionais. Em relação à postura individual, as gerações mais jovens estão cada vez mais conscientes e envolvidas com questões sociais e buscam empresas que compartilham desses valores, o que tende a fomentar mudanças na cultura dessas empresas de forma que elas se preocupem menos com a idade de seus funcionários e mais com a sua contribuição para um mundo mais sustentável e justo”, pontua.

 

Ladislau ressalta que é preciso banir a concepção estigmatizada.”Muitos acreditam que entrar em uma faixa etária elevada é sinal de que a vida acabou e deve-se esperar pelo fim da vida. Pelo contrário, os mais velhos podem ser mais resilientes e dominar com muita habilidade situações de crise e conflito. Visto que muitos trazem na bagagem experiências enriquecedoras para compartilhar, ensinar e orientar, com potenciais diferenciados e fundamentais no atual mercado de trabalho”, afirma.

 

 

 

Consulte sempre um profissional sério! Aqui no Let’s Move 360 é possível encontrar um profissional perto de você ou on-line. Utilize a nossa busca!