Bullying: tipos, impactos e medidas de prevenção

“Bullying não é brincadeira, é violência, e não é diversão, é opressão. Brincadeira é quando todo mundo está se divertindo e, nesse caso, apenas o opressor se diverte”, alerta psicanalista

3 de agosto de 2023 - às 15h18 (atualizado em 28/11/2023, às 15h43)

menina estudante sentada na escadaria cobre o rosto com ows braços. Atrás, 3 crianças apontam para ela
Crédito:

Envato

Escrito por

Dayana Bonetto

Redatora Let's Move 360

O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que é utilizada como substantivo para se referir a um agressor e, como verbo, para descrever o ato de intimidar alguém. O conceito de bullying está associado a um comportamento agressivo. A lei que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática define que o bullying é todo ato de violência física ou psicológica que ocorre de forma intencional e repetitiva, mas sem motivação evidente, com o objetivo de intimidar, agredir ou provocar dor ou angústia em uma ou mais pessoas. No Brasil, a expressão começou a ser difundida no final dos anos 1990, segundo o Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo.

 

Para que uma situação seja classificada como bullying, é preciso que exista um desequilíbrio de poder entre as pessoas envolvidas. Essa é a base sobre a qual o bullying se estrutura e se mantém presente. Uma das partes apresenta maior empoderamento, ocupando uma postura de poder mais forte, enquanto a outra parte é colocada em uma posição de vulnerabilidade e fragilidade em relação ao poder do agressor, de acordo com Heidy Lírio, psicanalista e escritora. “O bullying é uma das formas mais covardes de violência, porque ela vem disfarçada de brincadeira. Muitas vezes, esses sinais não são claros e precisa realmente de uma observação mais ativa para que seja possível identificar no início esse tipo de comportamento. Então, sempre indicamos prestar atenção nos três Os do bullying: em que há um opressor, um oprimido e os ouvintes”, esclarece. Lírio completa: “Bullying não é brincadeira, é violência, e não é diversão, é opressão. Brincadeira é quando todo mundo está se divertindo e, nesse caso, apenas o opressor se diverte”.

 

O bullying atinge principalmente pessoas que apresentam alguma fragilidade, seja física, intelectual, social ou financeira. Essas vítimas costumam enfrentar isolamento ou exclusão do convívio com seus colegas, o que pode gerar graves consequências emocionais. A vivência desse tipo de agressão pode desencadear uma série de sentimentos intensos, como ansiedade, tensão, medo, raiva reprimida, angústia, tristeza, desgosto, impotência e rejeição. Além disso, a pessoa afetada pelo bullying pode carregar consigo mágoa, um desejo de vingança e, em casos extremos, até mesmo pensamentos suicidas. 

 

A psicóloga Wania Augusta destaca que, para identificar se uma pessoa está sofrendo com o bullying, é importante  ficar atento à postura no dia a dia. “O jovem que estuda, por exemplo, geralmente esconde da família, tem medo de contar por vários sentimentos que afloram. É preciso que os familiares prestem atenção no comportamento dele dentro de casa. Se começar a se fechar, não quiser sair de casa, inventar doenças e chorar para ir para a escola, é importante ficar atento. Afastar-se dos amigos também é um sinal preocupante”, alerta. 

 

Segundo o levantamento do Observatório Febraban – Pesquisa Febraban Ipespe Bullying e Cancelamento: Impacto na vida dos brasileiros, 79% dos entrevistados acham que os casos de bullying cresceram muito no Brasil. A impressão sobe para 85% em relação a essas práticas através de redes sociais, celulares, plataformas de mensagens e jogos. E a preocupação com o tema cresce na mesma medida.

 

Bullying: medidas preventivas

 

A prevenção do bullying é uma tarefa que exige o envolvimento de toda a comunidade escolar e social. Para começar, é essencial criar conscientização sobre o bullying, seus efeitos prejudiciais e como identificar os sinais. 

 

No caso das escolas, é possível criar programas educacionais que orientem a reconhecer, prevenir e lidar com essa forma de violência. Além disso, a comunicação aberta entre pais e filhos, professores e alunos é de extrema importância.

 

Sobre  prevenção do bullying no ambiente de trabalho, é fundamental implementar políticas claras contra a prática e oferecer treinamentos para conscientizar os funcionários sobre o tema. Dessa forma, todos estarão cientes dos comportamentos inadequados e da importância de promover uma cultura de respeito e tolerância no ambiente profissional.  

 

Além disso, é essencial incentivar uma comunicação aberta entre a equipe, na qual os colaboradores sintam-se à vontade para compartilhar suas preocupações e relatar casos de bullying, sejam eles presenciados ou sofridos. 

 

A criação de canais de denúncia confidenciais também é relevante para que os funcionários se sintam seguros ao relatar essas situações, sem o receio de sofrer retaliações.

 

Cyberbullying: o bullying  virtual

 

O cyberbullying é uma forma de bullying que ocorre no ambiente virtual, mais especificamente na internet e nas redes sociais. É uma agressão que  ultrapassa qualquer fronteira física. De acordo com um estudo da UNICEF, mais de um terço dos jovens em 30 países relataram ser vítimas de bullying realizado por meio de tecnologias digitais, sejam redes sociais, plataformas de jogos online, web chats, SMS ou até plataformas de apoio ao ensino à distância. Um em cada cinco jovens admite ter saído da escola por causa de cyberbullying e violência.

 

As plataformas digitais, como redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens, oferecem inúmeras oportunidades para as crianças e adolescentes se conectarem com outras pessoas, compartilharem experiências e interesses e até mesmo aprenderem de forma criativa e interativa. 

 

No entanto, a psicóloga Nili Brito ressalta que ao mesmo tempo, esses meios virtuais podem causar diversos riscos. “As redes sociais podem ser um ambiente muito perigoso, principalmente para as crianças e adolescentes, por ser um espaço comparativo, onde elas idealizam uma vida, uma imagem que não têm, que lhes faltam e, quando acontece alguma ofensa verbal, psicológica, pode mexer diretamente com sua autoestima, provocando gatilhos possíveis de ansiedade, transtornos psicológicos e/ou psiquiátricos”, alerta.

 

Cyberbullying: medidas preventivas

 

Os pais e responsáveis precisam estar presentes na vida digital de seus filhos, orientando sobre o uso seguro da internet e estabelecendo limites de tempo para o acesso às redes sociais e jogos online. Além disso, é fundamental incentivar a comunicação e o diálogo constante. “É importante manter a comunicação aberta com os filhos. Confiança é uma das chaves para entender o que se passa em sua vida e com suas emoções. Eles precisam sentir segurança ao lado daqueles cuidadores, para que assim possam relatar o que acontece, sem achar que serão julgados ou que seus sentimentos serão invalidados ou diminuídos”, indica Brito.

Promover a conscientização sobre o cyberbullying, os perigos do compartilhamento excessivo de informações pessoais e os cuidados ao interagir com desconhecidos on-line também são medidas relevantes. Parcerias entre escolas e famílias para abordar o tema nas atividades educacionais e a busca por ajuda profissional, quando necessário, também são estratégias importantes para proteger os jovens e garantir uma vivência positiva no mundo digital.

 

Principais tipos de bullying 

 

  • Bullying verbal: uso de palavras ofensivas, xingamentos, insultos e ameaças para humilhar a vítima;

 

  • Bullying físico: agressões físicas, como empurrões, socos, tapas, chutes, beliscões, entre outros, que causam danos físicos à vítima; 

 

  • Bullying psicológico ou emocional: ações que têm como objetivo minar a autoestima e a saúde emocional da vítima, incluindo ameaças, humilhações, manipulações, chantagens, críticas constantes e ridicularização;

 

  • Bullying social ou relacional: exclusão, disseminação de rumores, manipulação social e outras táticas para isolar e humilhar a vítima perante o grupo;

 

  • Cyberbullying: agressões realizadas no ambiente virtual, como nas redes sociais, mensagens de texto, e-mails, entre outras plataformas on-line. Inclui ameaças, difamação, compartilhamento de fotos ou informações humilhantes e outras formas de agressão digital.

 

  • Bullying moral: tentativa de minar a reputação, a ética e os valores da vítima através de manipulação e críticas constantes;

 

  • Bullying racial, étnico ou cultural: ataques e discriminação baseados na raça, etnia ou cultura da vítima;

 

  • Bullying por orientação sexual: agressões e discriminação direcionadas à vítima com base em sua orientação sexual.

 

  • Bullying sexual: comentários, gestos ou toques de natureza sexual indesejada, causando desconforto e humilhação à vítima;

 

  • Bullying financeiro ou econômico: intimidação ou exclusão com base na situação financeira ou condição socioeconômica da vítima;

 

  • Bullying por incapacidade ou diferença: agressões e discriminação direcionadas a pessoas com deficiência ou qualquer outra característica que as torne diferentes;

 

  • Bullying por aparência física: agressões e ridicularização baseadas na aparência física da vítima;

 

  • Bullying por crenças e religião: Ataques e discriminação relacionados às crenças religiosas da vítima.

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